O que trata a Urologia?

Urologia é a especialidade médica focada nos problemas cirúrgicos do trato urinário de homens e mulheres, bem como nos problemas genitais, reprodutivos masculinos.

Apesar de ser uma especialidade cirúrgica, o urologista deve ter conhecimento nas áreas de clínica médica, nefrologia, endocrinologia, ginecologia, neurologia, oncologia e pediatria, pois algumas das doenças mais comuns nestas áreas, apresentam complicações no trato genito-urinário.

As Sociedades internacionais de Urologia, frequentemente, consideram 7 sub-áreas na urologia e urologia geral: Urologia oncológica (cânceres genito-urinário), Urolitíase (cálculos urinários), Fertilidade masculina (andrologia – saúde do homem), Transplante renal, Urologia feminina (incontinência urinária), Neuro-urologia, Urologia pediátrica, Urologia geral (Infeccção Urinária, aumento prostático)

ESPECIALIDADES

Urologia é a especialidade médica focada nos problemas cirúrgicos do trato urinário de homens e mulheres, bem como nos problemas genitais, reprodutivos masculinos.
Andropausa
AUMENTO DA PRÓSTATA (HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA – HPB)
BEXIGA HIPERATIVA
Cálculos Renais (LITÍASE URINÁRIA)
Câncer de Bexiga
Câncer de Prostata
Câncer de Rim
Câncer de Testículo
Cistite De Repetição
Doença de Peyronie
Ejaculação Precoce
Fimose
DISFUNÇÃO ERÉTIL (IMPOTÊNCIA)
Incontinência Urinária
Infertilidade Masculina
Prostatite
Varicocele

Andropausa

O que é?

Apesar de ser conhecida popularmente como “andropausa”, não devemos chamá-la dessa forma porque difere de seu equivalente menopausa em vários aspectos: não ocorre em todos os homens que envelhecem, os sinais e sintomas não são exclusivos desta entidade e não se manifesta em uma estreita faixa etária. O que pode ocorrer é uma diminuição da produção de testosterona – em geral, em torno de 12% a cada década de vida. Assim, o termo mais utilizado no Brasil é DAEM: Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, que é o conjunto de sinais e sintomas decorrentes da diminuição da concentração de androgênios no homem. Estudos apontam que apenas cerca de 20% dos homens após os 40 anos terão a queda de testosterona.

Sintomas

Entre os sintomas, os que mais comumente podem estar presentes são:

  • Diminuição da força e da massa muscular;
  • Diminuição da resistência física (fadiga);
  • Aumento da gordura (visceral);
  • Comprometimento da memória e funções cognitivas, depressão e irritabilidade;
  • Diminuição da libido;
  • Diminuição do número de ereções noturnas/matinais;
  • Disfunção erétil.
  • Causas

    A deficiência da testosterona pode ser devida a alterações em vários níveis do eixo hipotálamo-hipofisário-testicular: anormalidade nos testículos (disfunção testicular primária), deficiência na hipófise ou hipotálamo (secundária) e mista (associação de primária mais secundária).

    Fatores de risco

    A idade talvez seja o maior fator de risco, já que sabemos que a incidência do DAEM aumenta com a idade.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do DAEM deve ser sempre clínico e laboratorial. Ou seja, para se fazer o diagnóstico o homem tem que ter sintomas – alguns dos citados anteriormente – junto com uma dosagem sérica de testosterona baixa.

    Recomenda-se a dosagem de testosterona total e, se esta estiver baixa, deve-se repetir a dosagem da testosterona total, pedindo também a dosagem da Testosterona Livre Calculada, LH e prolactina (no caso de diminuição da libido).

    Prevenção

    Corrigir os fatores da síndrome metabólica tais como:

  • Obesidade;
  • Hipertensão;
  • Diabetes;
  • Dislipidemias (presença de gordura no sangue, como colesterol e triglicerídeos);
  • Sedentarismo;
  • Tabagismo;
  • Álcool em excesso;
  • Depressão, etc.
  • Tratamento

    O tratamento se dá por meio da administração de medicamentos. No Brasil, as formulações mais utilizadas são as injetáveis de curta e longa ação (Undecilato de Testosterona ou associação de ésteres de testosterona) e as transdérmicas, em forma de solução axilar e gel cutâneo.


    AUMENTO DA PRÓSTATA (HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA – HPB)

    O que é?
    A HPB ocorre com muita frequência na população. Por volta dos 40 anos de idade, aproximadamente 15% – 20% dos homens apresentam HPB. Esse número aumenta progressivamente com a idade, sendo que aos 80 anos, 88% dos homens terão HPB.
    Consequências:

    Como a próstata envolve a uretra, um aumento no seu volume pode acarretar em obstrução da uretra (canal por onde sai a urina). Nem todo aumento da próstata leva à obstrução uretral, mas quando isso ocorre, deve ser tratado, pois pode evoluir com comprometimento da bexiga e dos rins.

    Sintomas:

    É importante salientar que o aumento da próstata não representa necessariamente que você tem obstrução do canal urinário. Em outras palavras, algumas pessoas podem apresentar próstatas pequenas com muitos sintomas e outras próstatas grandes com poucos sintomas.

    Você deve observar se existem sintomas associados.

    Os seguintes sintomas devem alertá-lo a procurar um urologista:

  • Dificuldade de esvaziar a bexiga;
  • Diminuição do jato urinário;
  • Esforço miccional;
  • Dificuldade de iniciar a micção;
  • Acordar a noite para urinar;
  • Sensação de que não esvaziou completamente a bexiga após urinar;
  • Gotejamento de urina após terminar a micção;
  • Necessidade de urinar várias vezes ao dia;
  • A presença de sintomas como os referidos acima, sugere que você apresenta algum distúrbio miccional independente do tamanho da próstata.

    Tratamento:

    Você deverá informar seu médico sobre doenças e cirurgias prévias e uso de medicamentos. O seu médico irá fazer várias perguntas sobre como está o seu padrão miccional e solicitará alguns exames de acordo com o seu quadro clínico. Além disso, será realizado o exame de toque retal. Este exame tem a finalidade de detectar a presença de nódulos (sugestivos de câncer de próstata) e verificar o tamanho, consistência, temperatura e formato da sua próstata.

    Dentre os exames que poderão ser solicitados estão:

  • PSA – enzima produzida pela próstata que apresenta alteração nos casos de câncer de próstata e HPB;
  • Exame de urina – para avaliar a presença de infecção, sangramento oculto, etc;
  • Ultrassonografia – para avaliar o trato urinário;
  • RX da bexiga e da uretra – avalia a uretra e a bexiga quanto a sua anatomia;
  • Fluxometria urinária – Avalia a velocidade do seu fluxo de urina;
  • Estudo Urodinâmico - Avalia a função da bexiga, auxiliando a determinar a presença e grau de obstrução ao fluxo urinário
  • O tratamento é proposto conforme a intensidade dos sintomas e achados dos exames complementares. Pode variar desde o acompanhamento urológico até o uso de medicamentos que aliviam os sintomas e evitam o crescimento da próstata. Nos casos que não respondem a tratamento medicamentoso ou com sintomas mais graves, é necessário tratamento cirúrgico, que é feito habitualmente por técnicas minimamente invasivas.


    BEXIGA HIPERATIVA

    O que é?

    Bexiga hiperativa é caracterizada pela associação de alguns sintomas: urgência urinária, com ou sem incontinência associada, geralmente acompanhada de aumento de frequência e notória (necessidade de levantar mais que 3x para urinar durante a noite).

    Para o seu diagnóstico é fundamental afastar infecção urinária, condições metabólicas ou outras doenças que podem disfarçar o quadro clínico de bexiga hiperativa.

    Sintomas

    Os sintomas de bexiga hiperativa consistem de quatro componentes: urgência, aumento de frequência, noctúria e incontinência de urgência.

    A urgência, que é o principal sintoma. É definida como o desejo súbito e compulsivo de urinar. A frequência urinária superior a oito micções em um período de 24 horas é considerada aumentada.

    Fatores de risco

    Vários fatores de risco estão associados com bexiga hiperativa. O risco é aumentado em pessoas brancas e pessoas com diabetes insulino-dependente.

    Os indivíduos com depressão têm três vezes mais chances de desenvolver bexiga hiperativa. Idade acima de 75 anos, artrite, terapia de reposição hormonal oral e aumento do IMC (índice de massa corpórea) também são fatores de risco.

    As mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento, como a diminuição da capacidade da bexiga e as alterações no tônus muscular, favorecerem o desenvolvimento da bexiga hiperativa. Talvez a mudança na função vesical mais importante relacionada com a idade que causa a incontinência urinária é o aumento do número de contrações involuntárias do detrusor (músculo que durante a micção se contrai para expulsar a urina da bexiga).

    Diagnóstico

    A bexiga hiperativa, cujo diagnóstico é clínico, é caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas onde a urgência urinária é o principal componente. Dessa forma, a primeira abordagem é avaliar se os sintomas são consistentes com bexiga hiperativa. Outras causas de aumento de frequência, urgência e incontinência urinária devem ser excluídas.

    História clínica cuidadosa, exame físico e exame de urina devem ser realizados em todos os pacientes.

    Para alguns pacientes, exames e procedimentos adicionais podem ser necessários a fim de excluir outras doenças, confirmar o diagnóstico ou planejar o tratamento. Entre os exames que podem ser necessários estão a ultrassonografia renal e de vias urinárias, a mensuração do resíduo pós-miccional, o estudo urodinâmico e a cistoscopia.

    O diário miccional e os questionários de sintomas urinários são uma importante ferramenta na avaliação do paciente com bexiga hiperativa.

    Prevenção

    Não há evidência científica comprovada a respeito de medidas preventivas para bexiga hiperativa. No entanto, hábitos saudáveis de vida como reduzir a obesidade e o tabagismo; evitar o consumo de bebidas alcóolicas e reduzir a ingestão de chás, cafeína, sucos cítricos e chocolates são medidas positivas que podem reduzir o impacto da bexiga hiperativa.

    Tratamento

    De acordo com o guideline da Associação Americana de Urologia, o tratamento da bexiga hiperativa é dividido em três linhas de tratamento:

  • Primeira linha de tratamento: são medidas comportamentais incluindo treinamento vesical, estratégias de controle vesical, controle da ingesta de líquidos e treinamento dos músculos do assoalho pélvico. São medidas que devem ser recomendadas para todos os pacientes;
  • Segunda linha de tratamento: medicamentos (antimuscarínicos e o agonista beta 3) com ou sem associação às medidas comportamentais;
  • Terceira linha de tratamento: a persistência dos sintomas após 8 a 12 semanas de tratamento comportamental ou após 4 a 8 semanas de tratamento com antimuscarínico é considerada refratariedade. Pacientes refratários ou que apresentaram efeitos colaterais aos antimuscarínicos são candidatos à injeção de toxina botulínica tipo A no detrusor, estimulação periférica do nervo tibial ou neuromodulação sacral.
  • Os estudos mostram bons resultados com a injeção de toxina botulínica tipo A no detrusor. Os pacientes, no entanto, devem ser orientados quanto à possibilidade de retenção urinária com consequente necessidade de cateterismo vesical intermitente.

    A neuromodulação sacral está indicada para casos refratários com sintomas severos de bexiga hiperativa. O mecanismo de ação da neuromodulação sacral não é totalmente conhecido. Estudos demonstram que a estimulação das raízes sacrais induz reflexos vesicais excitatórios e inibitórios, dependendo da intensidade e frequência da estimulação.


    Cálculos Renais (LITÍASE URINÁRIA)

    o quê é?

    A litíase urinária, popularmente conhecida como “pedra nos rins”, ocorre por um processo de agrupamento de microcristais (cálcio, ácido úrico, entre outros sais) podendo ocorrer não só nos rins, mas também na bexiga. Esse processo geralmente acontece quando a urina está excessivamente concentrada (supersaturação).

    Sabemos que aproximadamente 3% da população mundial apresenta litíase urinária. O fator genético é bastante determinante, observando-se a ocorrência em 40-60% dos familiares em primeiro grau (pais, irmãos) de um paciente com o problema.

    Esse processo de supersaturação também pode ocorrer em decorrência de:

  • Dietas ricas em sal, gordura e colesterol;
  • Infecções urinárias e/ou obstrução das vias urinárias;
  • Alterações anatômicas, volume insuficiente de urina, distúrbios metabólicos;
  • Determinados medicamentos (como laxantes) e suplementos alimentares, como de cálcio e vitamina D;
  • Doenças como hipertiroidismo, hiperparatiroidismo, doença de Crohn, diferentes tipos de diarréia, ressecções intestinais (como na cirurgia para tratamento de obesidade), síndrome de má absorção, entre outras doenças.
  • Os cálculos presentes nos rins geralmente não causam dores, a não ser que seu tamanho tenha mais que 1 cm. No entanto, mesmo pequenos cálculos de 2mm ao se desprenderem dos rins e entrarem num canal chamado ureter (conecta o rim à bexiga levando a urina) causam as famosas e temerosas cólicas renais.

    A crise de cólica renal, classicamente é descrita como uma dor de início súbito, muito intensa localizada na região lombar do lado em que a pedra está deslocando-se. Essa dor pode irradiar para a região abdominal, correndo até o testículo do mesmo lado (ou lábios vaginais na mulher). Náuseas e crises de vômito podem com frequência ocorrer em reflexo às fortes dores. Em alguns casos o paciente nota alteração na coloração da urina, relacionada com a presença de sangue em maior ou menor quantidade.

    Quando a crise é muito intensa geralmente o paciente acaba procurando algum pronto-atendimento para receber medicamentos que aliviem as dores. Mesmo com o alívio dos sintomas, o paciente deverá procurar um urologista para uma adequada avaliação do quadro para que receba um correto tratamento, que pode ser desde medicamentos que facilitam a saída da pedra, até procedimentos cirúrgicos com uso de laser para fragmentar e retirar o cálculo.


    Câncer de Bexiga

    Dentre os tumores Urológicos o Câncer de Bexiga (Ca de Bexiga) é a segunda neoplasia mais frequente nos homens. Mulheres também podem apresentar Ca de bexiga, no entanto, a incidência em homens é 3 a 5 vezes maior que nas mulheres. O aparecimento desse tipo de neoplasia aumenta com a idade, sendo que menos de 1% dos casos ocorrem em pessoas com menos de 40 anos de idade. O principal fator externo associado como fator de risco para o surgimento do Ca de Bexiga é o tabagismo. Pessoas que fumam apresentam até 5 vezes mais chance de desenvolver Ca de Bexiga do que pessoas que nunca fumaram.

    Sintomas clínicos

    Entre 70-80 % dos pacientes com tumor de bexiga apresentam hematúria (sangue na urina), como apresentação inicial do problema. Esse sangue na urina pode ser microscópico, aparecendo apenas em exames de urina. Aproximadamente 20% dos pacientes apresentam inicialmente sintomas relacionados com a micção. Desta forma, pacientes acima de 40 anos, fumantes que apresentam sangramento na urina, devem ser investigados quanto a possibilidade de um tumor vesical.

    Diagnóstico

    Uma vez que seu Urologista suspeite da possibilidade de tumor vesical, alguns exames são necessários. Dentre eles:

  • Ultrassonografia;
  • Urografia excretora;
  • Tomografia computadorizada;
  • Ressonância Magnética;
  • Cistoscopia com biópsia da Bexiga;
  • Citologia Urinária.
  • Tratamento

    Caso não exista metástase, ou seja, tumor localizado apenas na bexiga, podemos, de maneira simplificada, dividir o tratamento dos tumores de bexiga de acordo com a presença ou não de invasão da musculatura desse órgão.

    Nos casos que não existe invasão muscular, podemos realizar a ressecção por via endoscópica das lesões vesicais e acompanhar a evolução. Em alguns casos, existe a necessidade de aplicação de BCG (substância que gera uma resposta imune) intravesical após remoção das lesões.

    Por outro lado, nos casos onde existe invasão muscular, há necessidade de remoção mais extensa da lesão. Em geral, realiza-se uma cirurgia para remoção de todo o órgão, conhecida como cistectomia radical. Após retirada da bexiga, pode-se realizar a construção de uma neo-bexiga com alça intestinal para substituir a bexiga original.

    A decisão terapêutica dos tumores da bexiga leva em consideração muitas outras variáveis não explicitadas aqui, para que o texto não se torne complicado.


    Câncer de Prostata

    O que é?

    É uma doença, na qual as células prostáticas podem sofrer modificações moleculares e se multiplicarem de forma descontrolada, podendo avançar e atingir outros órgãos, localmente ou à distância.

    Sintomas

    Em geral, apresenta crescimento muito lento, podendo levar anos para causar algum problema mais sério.

    Nas fases iniciais, apresenta-se silencioso, não causando nenhum sintoma específico. Com seu crescimento, pode causar sintomas urinários obstrutivos (diminuição do jato urinário, gotejamento após a micção, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, micção em dois tempos, retenção urinária) e/ou irritativos (aumento da frequência urinária, urgência, incontinência, aumento da frequência urinária noturna).

    Ao crescer, o câncer de próstata pode acometer órgãos vizinhos, como a bexiga, ureteres ou reto, o que pode causar sintomas inespecíficos como dor pélvica, sangue na urina, inchaço escrotal, dor lombar e inchaço das pernas, quando os linfonodos da pelve e abdômen estão bastante comprometidos.

    A maioria das metástases ocorre nos ossos, principalmente na coluna, quadril e costelas, o que pode ocasionar dor localizada nestas áreas. Nos casos mais avançados, pode haver presença de fraqueza, falta de energia e de apetite, e mesmo anemia. Entretanto, esses sintomas são inespecíficos, podendo em muitas vezes estar relacionados a outras causas.

    Causas

    As reais causas do câncer de próstata ainda são desconhecidas. Entretanto, já se sabe que ele é originado de desequilíbrios genéticos que causam alterações moleculares responsáveis pelo seu desenvolvimento. Fatores ambientais podem estar também envolvidos, desencadeando ou acelerando esse processo.

    Fatores de risco

    Todos os homens apresentam risco potencial de desenvolver câncer de próstata quanto mais se vive, ou seja, quanto mais idoso, maior o risco. Muitas vezes, entretanto, a doença segue um curso indolente, não sendo diagnosticada. Alguns grupos apresentam maior risco para desenvolvimento da doença: aqueles com parentes de primeiro grau que tiveram a doença e os indivíduos da raça negra. Apesar de muitos fatores, como comportamento sexual, infecções por vírus ou bactérias e situação socioeconômica desfavorável, terem sido associados com o desenvolvimento da doença, não existem evidências sólidas que confirmem esta relação. Existe uma suspeita, ainda não confirmada, da associação de dietas ricas em gordura animal e obesidade com câncer de próstata mais agressivos.

    Diagnóstico

    Como inicialmente não há sintomas, é sugerido que todos os homens a partir dos 50 anos sejam avaliados anualmente através do toque retal e de dosagens sanguíneas de PSA, para o diagnóstico da doença. Aqueles com história de câncer de próstata na família (pai, irmãos, tios) e da raça negra devem iniciar essa avaliação aos 45 anos, devido ao maior risco associado.

    Nas fases mais avançadas da doença, o diagnóstico pode ser suspeitado pela presença dos sintomas já descritos.

    Prevenção

    O termo “prevenir a doença”, quando utilizado, refere-se a uma série de medidas que visam na verdade a fazer um diagnóstico precoce da doença, detectá-la em estágios iniciais, o que aumenta muito as chances de cura – já que não há prevenção propriamente dita.

    Tratamento

    Dependerá do estágio da doença (localizado, localmente avançado ou avançado), da idade e das condições clínicas do paciente.

    Naqueles com doença inicial, localizada na próstata, incluem-se como opções a vigilância ativa (apenas acompanhar a evolução do quadro), a cirurgia (prostatectomia radical, ou seja, a retirada da próstata) e a radioterapia (externa ou braquiterapia).

    Nos casos de doença localmente avançada, cirurgia e radioterapia são as opções objetivando a cura do paciente.

    Nos casos avançados, o tratamento tem intenção paliativa, podendo-se optar por terapia de ablação hormonal e quimioterapia, associadas ou não a procedimentos cirúrgicos para aliviar o fluxo urinário e medicações para proteção óssea.


    Câncer de Rim

    O que é?

    O câncer de rim é uma doença que acomete cerca de 4200 brasileiros todos os anos. Em média, 90% dos cânceres renais correspondem ao Carcinoma de Células Renais. A doença pode se desenvolver como uma massa única dentro de um rim ou como dois ou mais tumores em ambos os rins simultaneamente.

    Na maioria dos casos, o câncer de rim é diagnosticado antes da ocorrência de disseminação para outros órgãos, mas é preciso estar atento, pois a doença não costuma apresentar sintomas no estágio inicial. Quando não tratado, o câncer de rim pode apresentar metástases para outros órgãos, principalmente para os pulmões, fígado e ossos.

    Fatores de Risco

    Existem alguns fatores de risco que podem favorecer o surgimento do câncer de rim, são eles:

  • Idade avançada;
  • Tabagismo;
  • Uso de Diuréticos;
  • Obesidade;
  • Hipertensão Arterial;
  • Sintomas

    Geralmente, os sintomas do câncer de rim demoram para surgir e o desenvolvimento da doença é lento. Muitas vezes, o tumor é descoberto acidentalmente durante exames de rotina. Inicialmente, o paciente pode apresentar dor nas costas e na região abdominal. Em alguns casos, é possível observar sangramento na urina e palpação do tumor no abdômen.

    Tratamento

    O tratamento efetivo da doença consiste na intervenção cirúrgica para a retirada completa do tumor. A nefrectomia radical é um dos tratamentos tradicionais mais indicados para câncer de rim, ela consiste na retirada do rim, da glândula adrenal e de linfonodos regionais.

    Em alguns casos, é possível optar pela nefrectomia parcial, que consiste na retirada do tumor, mas sem a necessidade de retirar totalmente o parênquima renal.

    Já em casos avançados, com presença de metástases, o tratamento é mais complexo e pode incluir imunoterapia e uso de drogas inibidoras da angiogênese.


    Câncer de Testículo

    Os testículos são dois órgãos localizados dentro da bolsa testicular (escroto). São eles os responsáveis pela produção de espermatozóides e de testosterona, o hormônio sexual masculino.

    O tumor de testículo é o câncer mais comum em homens entre os 20 e 40 anos. Aparece mais frequentemente em crianças e em homens entre os 30 e 35 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade.

    Alguns fatores aumentam o risco de um homem desenvolver câncer no testículo. O mais comum deles é a história prévia de criptorquia (crianças que nascem sem que o testículo tenha “descido” para dentro da bolsa escrotal), principalmente quando a criptorquia não foi corrigida ou foi corrigida tardiamente (após os 2 anos). Outros fatores de risco incluem a história familiar de tumores no testículo e a exposição a alguns tipos de substâncias químicas.

    O principal sintoma do câncer testicular é o aumento do volume da bolsa escrotal ou a palpação de um “caroço” no testículo. É importante saber que esse “caroço” geralmente não é doloroso. Isso faz com que o diagnóstico às vezes demore mais, principalmente em crianças, já que o paciente não se queixa de dor.

    O diagnóstico é feito através do exame físico e da realização de uma ultrassonografia. Outros exames importantes, após a confirmação de que há um tumor no testículo, incluem a realização de uma tomografia computadorizada do abdome e a dosagem de algumas substâncias no sangue – chamadas marcadores tumorais – que ajudam a avaliar a gravidade da doença e são importantes no acompanhamento da resposta ao tratamento.

    Caso cirúrgico

    Todas as massas tumorais localizadas no testículo devem ser avaliadas cirurgicamente através de uma incisão na região da virilha. Uma vez confirmada a presença de um tumor, o testículo deve ser totalmente removido.

    Se for um desejo do paciente, pode ser colocada uma prótese no lugar do testículo que foi removido. A prótese não tem função de produzir espermatozoides nem testosterona, mas faz com que o aspecto da bolsa escrotal fique inalterado, o que é importante principalmente em adolescentes.

    Eventualmente a cirurgia pode ser o tratamento definitivo do problema. Em outros casos pode ser necessário o uso de outras formas de tratamento, como quimioterapia ou radioterapia. A decisão de realizar outros tratamentos é baseada nos resultados dos exames de tomografia, da dosagem dos marcadores tumorais e do resultado da biópsia realizada no tumor após a cirurgia.

    Graças aos avanços da medicina, hoje em dia mais de 95% dos tumores testiculares são curáveis. Mas é importante todo homem e todos os pais e mães de crianças do sexo masculino prestarem atenção a um eventual aumento do volume da bolsa escrotal. Como já dissemos, na maioria das vezes esses tumores são indolores. Portanto, o fato de não doer não deve ser usado como desculpa para não procurar um médico. Procure atendimento médico todas as vezes que notar um aumento da bolsa escrotal. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maior a probabilidade de cura com tratamentos mais simples.


    Cistite De Repetição

    O que é?

    Cistite é uma infecção que acomete a bexiga, ou seja, uma infecção do trato urinário baixo (ITU). As cistites são muito comuns em mulheres.

    Estima-se que 50 a 80% delas apresentarão ao menos um episódio de cistite ao longo da vida. De 20 a 50% das mulheres com diagnóstico de cistite poderão apresentar recorrência, caracterizada quando a paciente relata três episódios de cistite em um ano ou dois episódios em seis meses. O novo quadro de ITU poderá ser uma reinfecção (quando causada por uma nova bactéria) ou recidiva (quando for a mesma).

    Após o primeiro episódio de ITU, a paciente se torna mais suscetível a novos eventos.

    A maioria das mulheres descreve o primeiro diagnóstico dessa infecção quando jovens e no período de atividade sexual (“cistite da lua de mel”). É também comum o relato de histórico familiar de cistite de repetição.

    Sintomas
  • Ardência ao urinar;
  • Urgência para urinar e dificuldade de segurar a urinar;
  • Vontade de urinar mesmo com a bexiga vazia;
  • Presença de sangue na urina (hematúria).
  • Causas

    Cerca de 80 a 85% das infecções urinárias são causadas pela bactéria Escherichia coli (E. Coli). Os demais casos se devem a outras bactérias.

    A automedicação deve ser desestimulada, pois pode ocasionar o desenvolvimento de resistência bacteriana a certos antibióticos.

    O médico deve ser sempre consultado antes de iniciar o tratamento para infecção urinária. A escolha do melhor tratamento leva em consideração os sintomas apresentados pela paciente, bem como o perfil de sensibilidade das bactérias aos antibióticos em determinada comunidade.

    Fatores de risco

    Fatores genéticos e ambientais estão envolvidos.

    A atividade sexual está fortemente relacionada ao surgimento de ITU. Mulheres que informaram relacionamento sexual no último mês possuem seis vezes mais chance de desenvolver as infecções.

    Mulheres jovens que utilizam agentes espermicidas apresentam cinco vezes mais chances de ter cistite. Contudo, é importante ressaltar que raramente é o parceiro que transmite a ITU. A maior parte dos germes que causam as infecções está presente no intestino e pode migrar para a vagina e a bexiga.

    Outros fatores de risco são:

  • Diabetes mellitus;
  • Presença de cistocele (“bexiga caída”);
  • Retenção de urina ou incontinência urinária;
  • Menopausa (ressecamento vaginal pela falta dos hormônios)
  • Prevenção e tratamento

    O principal aspecto no tratamento e na prevenção da cistite de repetição é administrar o antibiótico no momento certo e pelo tempo apropriado.

    Algumas estratégias específicas podem ser adotadas para evitar novos episódios em pacientes com recorrências frequentes, como manter um antibiótico em dose menor e por tempo prolongado (6 meses a 1 ano). Pode-se também utilizar o suco ou cápsula da fruta cranberry (embora os estudos não sejam unânimes em demonstrar sua eficácia).

    A imunoterapia ou “vacina” também pode ser uma opção a ser considerada (cápsulas de lisado bacteriano de E. coli administradas via oral).

    O urologista é o médico mais indicado para avaliar de maneira global a paciente com cistite de repetição e prescrever o tratamento mais apropriado.

    Contudo, algumas medidas comportamentais devem ser instituídas:

  • Evitar ficar longos períodos sem urinar;
  • Tomar líquidos em quantidades apropriadas (especialmente em dias quentes);
  • Combater a constipação intestinal (“intestino preso”);
  • Fazer a adequada higiene da genitália;
  • Estimular a prática de exercícios físicos.

  • Doença de Peyronie

    A doença de Peyronie manifesta-se por meio de fibroses no pênis podendo provocar deformidades como curvatura, afinamento, redução do tamanho, acinturamento do pênis, que costumam estar associadas a disfunção erétil (dificuldade de ter e/ou manter ereção) em maior ou menor grau.

    Esta condição ocorre pela formação de cicatrizes no tecido que reveste o corpo cavernoso do pênis, uma estrutura conhecida como túnica albugínea.

    Os principais sintomas da doença de Peyronie são:

    Formação de tecido de cicatriz (fibrose), também chamado placa – este tecido de cicatriz pode geralmente ser sentido através da pele na palpação. As placas normalmente se formam na parte superior do pênis, mas também podem ocorrer na parte inferior ou dos lados;

  • Diminuição da qualidade de ereção – a doença de Peyronie pode agravar ou provocar a disfunção erétil;
  • Ereções dolorosas – no início da doença, conhecida como fase inflamatória, as ereções podem ser dolorosas;
  • Dificuldade ou impossibilidade de manter relações sexuais – devido ao grau de deformidade provocado pela doença;
  • Curvatura peniana – devido à ocorrência da fibrose em determinada parte do pênis, a membrana passa a apresentar menor elasticidade nesta área acometida, provocando a curvatura;
  • Afinamento do pênis – a doença pode se apresentar também como uma constrição da túnica, levando ao afinamento do pênis;
  • Acinturamento do pênis – pode ocorrer da placa acometer toda a área ao redor do pênis, provocando um afinamento de toda a circunferência do pênis;
  • Diminuição do tamanho do pênis – o tecido da cicatriz (placa fibrótica) também pode causar encolhimento ou encurtamento do pênis;
  • Ocorre principalmente em homens acima dos 40 anos de idade, geralmente por traumas ou microtraumas durante as relações sexuais.Estudos recentes indicam que cerca de 10% dos homens podem desenvolver a doença de Peyronie.

    E por motivos de desinformação, medo ou vergonha de procurar um profissional especializado para o tratamento adequado, acabam comprometendo seus relacionamentos, deixando de usufruir de uma vida sexual saudável e feliz, com qualidade de vida.

    Esta condição pode afetar e muito o psicológico do homem, pela deformidade no pênis, pela dificuldade e/ou impossibilidade em ter relação sexual, afetando a autoestima, autoconfiança, qualidade de vida, felicidade.

    As queixas de pacientes quanto à doença de Peyronie podem ser agrupadas em duas fases: inflamatória e de fibrose – cicatrização.

    Dependendo da fase em que se encontra a doença, o tratamento indicado pode ser clínico ou cirúrgico.

    A fase inflamatória caracteriza-se por curvatura peniana progressiva, associada ou não à dor durante as ereções e com placa ou nódulo abaixo da pele, palpável ou não. Esta fase é passageira e é onde se fazem os tratamentos clínicos com medicamentos com anti-inflamatórios, analgésicos, medicações para estabilização da patologia e orientações gerais, visando a melhora clínica ou evitar a piora da deformidade. Para que o tratamento clínico com medicamentos tenha bons resultados, o diagnóstico precoce e o início do tratamento ainda nesta fase é muito importante.

    Na fase de fibrose – cicatrização, é quando a cicatriz está presente, a deformidade peniana já está definida e estável. Normalmente a cirurgia é indicada a partir desta fase, quando a deformidade já está estabilizada, não melhora e nem piora e não resolve mais com tratamentos clínicos com medicamentos. Na maioria das vezes, a placa encontra-se na região distal do pênis, causando curvatura para cima ou para o lado, porém a curvatura pode ser para qualquer lado e com mais de uma direção.


    Ejaculação Precoce

    O que é?

    Ejaculação precoce (EP), prematura ou rápida, segundo a ISSM (Sociedade Internacional de Medicina Sexual) é a disfunção sexual masculina caracterizada pela ejaculação que ocorre sempre, ou quase sempre, quando o tempo desde a penetração vaginal até a ejaculação passa a ser insatisfatório para o homem ou para o casal. Essa dificuldade gera consequências negativas, tais como: sensação de incômodo, insatisfação e/ou desejo de evitar a intimidade sexual.

    Sintomas

    A EP é um sintoma, e não propriamente uma doença. Sua incidência é considerada alta, ocorrendo ao redor de 30% dos homens. O principal aspecto é a insatisfação sexual, envolvendo geralmente tanto o homem como sua parceira sexual.

    Causas

    A EP é um problema comportamental na maioria dos casos, envolvendo um nível de ansiedade elevado, mas também pode ter causas orgânicas (ou físicas), como: prostatite, alterações relacionadas com a serotonina (hormônio que regula o humor, sono, entre outras funções), hipersensibilidade da glande e problemas da tireoide.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da ejaculação precoce é eminentemente clínico, ou seja, ele é feito por meio do relato do paciente, detalhando desde quando iniciou e como evoluiu, além do exame físico e, se necessário, algum exame complementar (dosagem hormonal).

    A EP pode ser classificada em:

  • Primária: ocorre desde a primeira relação sexual;
  • Secundária: ocorre quando já houve previamente um período sem ejaculação precoce;
  • Ocasional ou situacional: ocorre às vezes ou com determinadas parceiras.
  • Prevenção

    Muitas vezes o paciente com EP possui um perfil psicológico de ansiedade. Neste sentido, praticar atividades que aliviem o estresse e conversar com sua parceira sobre o problema podem ser úteis do ponto de vista emocional. A ajuda de um terapeuta sexual pode proporcionar excelentes resultados, inclusive a cura do problema.

    Tratamento

    O tratamento da EP é realizado basicamente por meio de psicoterapia sexual (podendo ser do tipo comportamental) e de farmacoterapia.

    Os medicamentos antidepressivos e os analgésicos de ação sistêmica ou local têm sido empregados com bons índices de sucesso e, quando existe disfunção erétil (impotência) associada, os inibidores da fosfodiesterase do tipo-5 podem ser igualmente utilizados. Há uma tendência de se utilizar a combinação de psicoterapia sexual e farmacoterapia, visando melhores resultados.

    Dois aspectos fundamentais devem ser levados em conta quando se analisa a ejaculação precoce: a) fazer o diagnóstico diferencial entre EP e disfunção erétil, ou a presença de ambas; b) dimensionar o impacto psicológico que a EP possa estar causando tanto para o homem como para sua parceira.


    Fimose

    O quê?

    Fimose é a incapacidade de se expor a glande, parte terminal do pênis, pois a pele que a recobre não tem abertura suficiente. Esta condição é comum nos meninos recém-nascidos e tende a desaparecer até os 3 anos de idade ou na puberdade, sem a necessidade de tratamento específico.

    Como o prepúcio não pode ser retraído, a fimose pode causar dificuldade em urinar, aumentando o risco de infecção urinária, dor nas relações, dificultar a limpeza da região, aumentando o risco de infecções e aumenta o risco de desenvolver uma parafimose.


    DISFUNÇÃO ERÉTIL (IMPOTÊNCIA)

    O que é?

    A disfunção erétil (DE) ou impotência sexual é a incapacidade persistente de obter e/ou manter uma ereção peniana o suficiente para a penetração ou para o término do ato sexual satisfatoriamente.

    Sintomas

    É uma doença auto descritiva, ou seja, o próprio paciente relata as suas dificuldades durante o ato sexual. As histórias médica e sexual são importantes na avaliação global.

    Causas

    Uma vez definida como disfunção erétil, existem a de natureza psicogênica e a de natureza orgânica, embora a maioria dos pacientes apresente componentes de ambas.

    Essa diferença pode ajudar a decidir sobre a intervenção de outro profissional ou a necessidade de realizar outros métodos diagnósticos mais especializados. É preciso saber se o problema teve início súbito ou gradual, intermitente e/ou permanente.

    Fatores de risco

    Os fatores de risco que mais frequentemente estão relacionados com a DE são a diabetes melito e as doenças cardiovasculares. Outros fatores estabelecidos incluem:

  • Idade;
  • Tabagismo;
  • Aterosclerose;
  • Trauma pélvico ou perineal/cirurgia pélvica;
  • Endocrinopatias;
  • Hipertensão arterial;
  • Depressão;
  • Doenças neurológicas;
  • Drogas recreacionais (maconha, cocaína por exemplo);
  • Medicamentos anti-hipertensivos e antidepressivos;
  • Dislipidemias.
  • Diagnóstico

    Além da história médica e sexual, deve ser realizado exame físico de forma completa (toque retal, pressão sanguínea, distribuição de pêlos e gordura pelo corpo, exame genital), uma vez que pode revelar causas diretas de disfunção erétil, comorbidades e outras doenças relevantes. Exames laboratoriais são solicitados conforme a queixa clínica.

    A disfunção erétil pode ser sintoma de outros problemas de saúde. Os exames recomendados são: glicemia, testosterona total e perfil lipídico. Os exames mais especializados só devem ser realizados, em casos excepcionais, se demonstrarem eficácia comprovada em estudos clínicos baseados em evidências que justifiquem expor o paciente a testes de custos elevados, invasivos e, algumas vezes, desnecessários.

    Prevenção

    Mudança de estilo de vida e hábitos sociais do indivíduo, como alcoolismo, sedentarismo e obesidade. Além de procurar identificar a existência de outras doenças que possam estar relacionadas com a disfunção erétil.

    Tratamento

    O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico.

    O tratamento clínico consiste em psicoterapia, drogas orais (inibidores da fosfodiesterase tipo 5), drogas intracavernosas.

    O tratamento cirúrgico consiste basicamente em implante de prótese peniana.


    Incontinência Urinária

    O quê é?

    É a perda de urina que você não consegue controlar. Muitos homens e mulheres sofrem de incontinência urinária. Não se sabe ao certo quantos, porque muitas pessoas não contam a ninguém sobre seus sintomas por se sentirem envergonhadas ou ainda por acharem que nada pode ser feito para tratar o problema. Por isso, elas sofrem em silêncio.

    A incontinência urinária não é somente um problema físico. Ela pode afetar aspectos emocionais, psicológico e a vida social das pessoas. Muitos que têm essa condição têm medo de fazer suas atividades diárias normais para evitar expor o seu problema. Eles não podem ficar muito longe de um banheiro e evitam aglomerações de pessoas. Portanto, a incontinência urinária impede que as pessoas aproveitem a vida.

    Muita gente acha que a incontinência urinária é um problema normal que surge com o envelhecimento. Mas isso não é verdade. E a incontinência urinária pode ser controlada e tratada. Converse com um urologista e descubra qual é a melhor opção de tratamento para você.

    Alguns dados estatísticos

    Um quarto a um terço de homens e mulheres sofre de incontinência urinária nos Estados Unidos. Isso representa milhões de pessoas. Cerca de 33 milhões têm bexiga hiperativa, uma condição que pode causar incontinência urinária. Muitas situações podem aumentar o risco de incontinência urinária, por exemplo: idade, gestações, tipo de partos (normais mais que cesáreas) e número de partos. Nas mulheres o problema tende a aumentar após a menopausa e nos homens acima de 50 anos também, com o surgimento dos problemas de próstata. Doenças como diabetes, derrames (acidente vascular cerebral) e obesidade também se associam à maior incidência de incontinência urinária.

    Quais são os tipos de incontinência urinária

    Incontinência urinária de esforço: é a perda de urina que ocorre ao tossir, espirrar, caminhar, correr, pular. Ocorre quando os músculos do assoalho pélvico (músculos que cobrem a cavidade inferior da bacia e sustentam os órgãos que estão no abdômen) são forçados durante esforço físico e se tornam enfraquecidos ou alongados demais. Isso leva a perdas urinárias em episódios, podendo ocorrer em gotas ou em grande quantidade. Não existem medicamentos para esse tipo de incontinência urinária e as recomendações de tratamento estão na fisioterapia e na cirurgia.

    Incontinência urinária de urgência: é a perda de urina associada a um desejo súbito e urgente de urinar, que ocorre porque o indivíduo não consegue chegar ao banheiro a tempo. É o que ocorre na bexiga hiperativa, uma situação na qual o músculo detrusor (músculo que forma a bexiga urinária) se contrai involuntariamente mesmo se a bexiga não estiver cheia. Muitas vezes a pessoa tem que urinar com muita frequência e em algumas vezes a urina escapa antes de chegar à toalete. Essa condição pode ser tratada de diversas maneiras, incluindo medicamentos, estímulos elétricos com equipamentos de fisioterapia, uso de toxina botulínica e implantes de estimulares elétricos nas raízes nervosas.

    Incontinência urinária mista: algumas pessoas têm os dois tipos de incontinência urinária, ou tem sintomas que podem ser dos dois tipos e chamamos esta condição de incontinência mista. Algumas vezes são necessários exames mais específicos, chamados exames urodinâmicos, que ajudam a ter um diagnóstico preciso para escolher o melhor tratamento.

    Incontinência urinária paradoxal: ocorre quando a bexiga está extremamente cheia e a perda urinária ocorre por uma espécie de transbordamento; o problema nesse caso é a incapacidade de esvaziamento da bexiga, mas o sintoma é a perda de urina. É o que ocorre em pessoas que perdem a sensibilidade da bexiga e não percebem que ela está cheia. Ou ainda em pessoas com obstrução crônica, como nos homens com crescimento da próstata. Nesse caso o tratamento consiste em melhorar o esvaziamento da bexiga.

    Muitos tipos de tratamento para a incontinência urinária estão disponíveis. Um especialista qualificado pode recomendar o tratamento adequado para cada tipo de incontinência urinária. As formas de tratamento podem variar no grau da invasividade, ou seja, podem variar desde uma simples mudança nos hábitos até cirurgias complexas.

    São eles:

  • Terapia comportamental e tratamentos conservadores:
  • Consistem em orientações sobre o funcionamento da bexiga e da musculatura pélvica, mudanças comportamentais no hábito urinário e exercícios passivos e/ou ativos para a musculatura do assoalho pélvico. Estes exercícios visam fortalecer o esfíncter uretral para diminuir as perdas. Alguns exercícios são realizados com auxílio de eletroestimulação, que também tem ação sobre os nervos do assoalho pélvico, podendo ajudar pacientes com bexiga hiperativa.

  • Existem medicamentos para relaxar a musculatura da bexiga (diminuir a hiperatividade)
  • Cirurgias:
  • Existem várias cirurgias para o tratamento da incontinência urinária. No entanto, esta cirurgia deve ser individualizada e realizada para cada caso específico. A realização de uma cirurgia não adequada pode piorar o problema. Por isso, você deve sempre procurar um especialista ou uma segunda opinião e informar-se sobre todos os riscos e benefícios que o tratamento cirúrgico pode lhe oferecer.


    Infertilidade Masculina

    O que é?

    De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (American Society for Reproductive Medicine – ASRM), a infertilidade é a incapacidade de obtenção de gestação após um ano de tentativas, sem uso de nenhum método anticoncepcional.

    Atualmente, estima-se que a infertilidade atinja 10% a 20% dos casais em idade reprodutiva, independentemente de suas origens étnicas ou sociais. Em aproximadamente 30% dos casos, a infertilidade é causada apenas por fatores masculinos, enquanto que em 20% têm causas masculinas e femininas combinadas. Portanto, a avaliação e o tratamento do homem assumem uma importância crucial na condução de um casal infértil.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 80 milhões de pessoas ao redor do mundo apresentem o problema.

    Causas

    A idade do casal, duração da infertilidade, história prévia de gravidez, métodos contraceptivos utilizados no passado, bem como a frequência e o período do ciclo menstrual em que o paciente vem mantendo relações sexuais devem ser investigados.

    Os pacientes devem manter intercurso sexual a cada dois dias no período ovulatório e peri-ovulatório, para garantir a presença de espermatozoides móveis nas tubas uterinas durante a passagem do ovócito.

    Entre as doenças que podem causar infertilidade no homem, estão:

  • Varicocele (dilatação anormal das veias dentro do escroto, que é a causa mais comum);
  • Criptorquidia unilateral ou bilateral, ou seja, a falta do testículo dentro do escroto;
  • Torção testicular, o que pode resultar em isquemia do testículo afetado e prejudicar a produção de espermatozóides;
  • História prévia de trauma testicular;
  • Infecções do trato genital masculino, tais como prostatite e epididimite, pois podem levar à obstrução do trato reprodutivo e subsequente infertilidade;
  • Orquite (inflamação no testículo) pós-caxumba. O acometimento testicular ocorre em 40 – 70% dos casos de caxumba pós-puberal;
  • Paciente com câncer testicular que foram tratados com quimioterapia, radioterapia, cirurgia retroperitoneal, ou uma combinação destas técnicas. Pode levar até 5 anos após o tratamento para que o paciente volte a apresentar espermatozóides no ejaculado;
  • Febre, viremia ou bacteremia podem causar uma disfunção testicular temporária;
  • O tempo em que o paciente atingiu a puberdade, já que a puberdade precoce pode indicar a presença de uma síndrome adreno-genital, enquanto a puberdade atrasada pode indicar um hipogonadismo ou Síndrome de Klinefelter;
  • História familiar de diabetes mellitus, uma vez que o diabetes pode levar à ejaculação retrógrada ou à ausência da emissão seminal;
  • Cirurgias vesicais, pélvicas, retroperitoneais e transuretrais;
  • Alterações genéticas.
  • Fatores de risco
  • Tabagismo;
  • Alcoolismo;
  • Uso de drogas como: maconha, cocaína, heroína, crack e haxixe;
  • Estilo de vida;
  • Poluição ambiental;
  • Condições sistêmicas como: diabetes, câncer e seus tratamentos;
  • Exposição ocupacional a agentes tóxicos para os testículos, como alguns pesticidas e venenos utilizados;
  • Exposição a metais pesados como o cádmio, chumbo e manganês;
  • Trabalhadores expostos ao calor intenso;
  • Uso frequente de saunas e banheiras com água quente.
  • Diagnóstico

    A presença de infertilidade masculina é frequentemente definida pela existência de alterações nos parâmetros seminais, no entanto, o valor do achado de parâmetros seminais normais como diagnóstico de fertilidade masculina está muito longe de ser considerado aceitável. Sendo assim, a necessidade de testes diagnósticos com boa sensibilidade, acurácia e que sejam facilmente padronizados tem estimulado a busca de critérios bioquímicos, por meio dos quais a qualidade do ejaculado humano poderá ser melhor avaliada. Apesar de o espermograma ser o exame disponível mais utilizado na prática clínica, os parâmetros seminais avaliados possuem limitações relacionadas à etiologia da disfunção espermática assim como na determinação da sua capacidade de fertilização.

    São necessárias duas amostras com intervalo entre 15 a 30 dias. O exame avalia o volume de sêmen, o número, a concentração, a movimentação (motilidade) e a forma (morfologia) dos espermatozoides e também se há algum tipo de inflamação, o que será diagnosticado pela presença de leucócitos.

    Também podem ser solicitados o exame de Doppler dos testículos e a dosagem dos hormônios: testosterona total, FSH, LH e prolactina.

    Tratamento

    A correção da causa da infertilidade deve possibilitar o retorno da fertilidade do casal e a gravidez espontânea, desde que seja possível o diagnóstico e o tratamento. O principal objetivo é identificar causas específicas direcionando o tratamento da infertilidade masculina.

    Apesar disso, aproximadamente 25% das causas de infertilidade masculina são chamadas de idiopáticas, e não possuem tratamento específico.

    Levantada a causa, é possível indicar o melhor tratamento.

    Entre as técnicas de reprodução assistida existem:

    - Inseminação artificial, quando são injetados espermatozoides na cavidade uterina após estímulo ovulatório;

    - Fertilização in vitro, quando se colocam espermatozoides em contato com o oócito feminino e espera-se a fecundação para transferi-lo para o útero;

    - ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide), quando introduz-se o espermatozoide no interior do óvulo e, uma vez fertilizado, transfere-se para o interior da cavidade uterina.


    Prostatite

    O quê é?

    A prostatite é uma inflamação que ocorre nos tecidos da próstata, podendo ser aguda ou crônica. Geralmente, a doença é causada por bactérias, mas também pode estar relacionada a fatores virais, fúngicas, entre outros.

    Causas

    Em geral, a causa da prostatite é infecciosa. A contaminação pode ocorrer por meio da uretra ou do sangue que vem de outros órgãos infectados.

    Sintomas

    Os sintomas da Prostatite são: ardência ou dor para urinar, febre, frequência urinária aumentada, dor abdominal, dor e desconforto no períneo e ejaculação dolorosa.

    Tratamentos

    Após o diagnóstico, o tratamento é realizado por meio de medicamentos antibióticos, de acordo com o agente causador da doença.


    Varicocele

    O quê é?

    A varicocele é uma doença que atinge 40% dos homens com infertilidade conjugal, sendo caracterizada pela dilatação das veias de drenagem dos testículos. É causada pelo refluxo de sangue nessas veias e pode ser chamada também de varizes testiculares ou escrotais.

    A doença provoca mudanças funcionais no testículo, que determinam alteração na qualidade dos espermatozoides, levando à infertilidade.

    Essa doença não tem sintomas e normalmente é diagnosticada quando se investiga a infertilidade do casal. O diagnóstico é feito no exame físico, palpando-se o cordão inguinal, com paciente em pé e fazendo força com o abdome (manobra de Valsalva). O exame de imagem EcoDoppler testicular ou dos funículos espermáticos não é recomendado como exame de diagnóstico inicial, e sim para auxiliar nos casos de dúvida, nunca para diagnóstico sem antes o paciente ser examinado.

    O tratamento da varicocele é realizado com cirurgia, pela via subinguinal (na virilha) e com técnica microcirúrgica (utilizando microscópio cirúrgico na operação). A cirurgia é realizada em regime ambulatorial, com alta no mesmo dia. Essa técnica garante a melhora da qualidade seminal entre 60-75% dos pacientes operados e gravidez natural em 30% dos casais após 24 meses da cirurgia.